Alguém disse uma vez: A beleza está nos olhos de quem vê*. Acho que pode ser verdade.
Eu tinha somente oito anos de idade quando me encantei com a Bernadete. Que menininha linda! Alegre! Risonha! Só não era um anjo porque todos os adultos da escola a chamavam de pestinha impossível! Eu me sentava ao seu lado e como era difícil prestar atenção na aula. Ela era muito mais interessante que as letras e os números.
O mundo da Lua era o meu preferido. Vivia distante do lápis e sempre era despertado no susto e com o riso dos meus amigos, e tendo que voltar rapidamente ao mundo dos terrestres, com a professora Lúcia pedindo: Volta pra Terra, menino! Sem graça, disfarçava olhando pro caderno. Não demorava muito e lá estava eu de novo olhando pra Bernadete. Quantas vezes pensei: Como pode haver uma menina tão linda?
Poucos anos depois, me encantei com a Rosana. Dois anos mais velha que eu e estava no último ano do ginásio. Eu a via somente no recreio, quando todas as turmas estavam juntas. Ela era linda! Um sorriso que me deixava ainda mais encantado. Não tinha sua amizade, mas gostava de observá-la de longe conversando com suas amigas. Às vezes, após um suspiro, me perguntava: Como pode haver uma menina tão linda?
No início do ano seguinte, fiquei de boca aberta e com os olhos secos ao ver a professora de português entrar na sala e se apresentar à turma. Marili, seu nome. 32 anos. Pensei comigo: Que mulher linda! Em suas aulas, eu não queria saber de substantivos e nem de adjetivos, só de verbos como admirar, encantar, sonhar... Com o passar do tempo, ela percebeu que eu estava sempre em outro mundo e às vezes repetia a mesma chamada da prô Lúcia: Volta pra Terra, menino! Não sei se algum dia ela percebeu que era uma habitante do meu mundo da Lua.
Mudei de escola para fazer o colégio. Como todo tímido faz, me sentei lá no fundão. Observei a sala e avistei sentada lá na frente a garota mais bonita da sala. Bonita não! Linda! Nos dias seguintes, fui mudando de carteira até que num dia, em que faltaram vários alunos por estar chovendo, consegui me sentar ao seu lado. Disse um Oi e fui retribuído com um Oi sorridente. Que sorriso! Que rosto lindo decorado com duas safiras! Novamente estava encantado e novamente pensei: Como pode haver uma garota tão linda? Ela usava um perfume delicioso que anestesiou meu cérebro. Seu nome: Rose. Nome e perfume dignos de uma flor.
O tempo passou. Eu cresci e me tornei um homem feito. Conheci inúmeras mulheres, de bonitas a lindas, mas nenhuma me encantou a alma como as da fase da inocência.
* Ramón De Campoamor Y Campoosorio.
Out/2019
Texto extraído do livro: O menino que cresceu
Comentários
Postar um comentário