O homem na Lua
O quartel do Corpo de Bombeiros era o lugar mais legal do mundo e
também o mais seguro da vila. Lá podíamos ficar a tarde inteira e nossas mães
despreocupadas, pois sabiam que estávamos lá e não em outro lugar quando
dizíamos que estaríamos lá.
Nós aprendíamos muito com os bombeiros e passamos a admirá-los. Nós os tínhamos como heróis destemidos e corajosos que salvavam pessoas e combatiam com bravura grandes incêndios. Sempre dizia à minha mãe: Quando eu crescer, vou ser bombeiro.
No final do mês de julho e das férias escolares, na vila, na TV, no rádio e nas conversas de adultos, acho que até nos papos dos cachorros e gatos, não se falava de outro assunto: Domingo, o homem vai pisar na Lua!
Chegou o grande dia. Eu, meus pais e irmãos, e mais alguns vizinhos, todos na sala da casa da dona Janete, atentos à transmissão do pouso do módulo lunar da Apolo 11 na superfície da Lua. Era um momento único. Uma realidade nunca existida.
Meus olhos mal piscavam. Não queria perder um segundo do que estava acontecendo. Neil Armstrong desceu a escada do módulo num passo lento e esquisito, como se estivesse andando dentro da água, e pela primeira vez um homem pisou na Lua. A marca do solado de sua bota ficou no solo lunar e dizem que está lá até hoje.
Eu não entendia muito bem como eles chegaram até a Lua, mas imaginava a importância daquele fato. Era fascinante saber que o homem tinha saído do planeta em um foguete e que, talvez, pudesse ir para Marte ou Saturno como nas histórias em quadrinhos.
Os adultos, inclusive meu pai, diziam que era tudo mentira. Coisa de cinema. Verdade ou não, naquele dia, 20 de julho de 1969, desisti de ser bombeiro. Queria ser um astronauta.
Set/2019
Texto extraído do livro: O menino que cresceu
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