Despachar
Quando precisamos enviar uma carta, um documento ou um objeto, usamos um serviço de despacho, ou seja, o objeto sai de um lugar e vai para outro. O ato de despachar também pode ser conceitual, exemplo: quando o presidente assina documentos, ou quando os macumbeiros fazem oferendas nas encruzilhadas.
Podemos despachar gente também! As inconvenientes. Já fizeram isso comigo e não foi uma, duas, três, quatro ou cinco vezes, nem me lembro mais. Tem muita gente cruel nesse mundo! Ser despachado nos deixa com uma sensação muito ruim, mas dependendo da situação, não.
Quando a Marina me despachou, com um pé na bunda, fiz aquela cara de triste, de quem está a um milésimo de chorar. Cabisbaixo, saí pra rua. Quando dobrei a esquina, dei um pulo no ar, socando o nada, e fiz uma dancinha no meio da calçada. Graças a Deus! Tô livre da dona Encrenca!
Lembro-me de um fato ocorrido quando completei 22 anos. Comemorei com meus amigos, mas de presente eu queria mesmo era uma namorada.
Peguei minha agenda de telefones (não havia celular na época) e fui à luta. Liguei pra Camila. Está casada. A Verinha não estava em casa. O número da Lúcia só chama. A Telma está namorando... Puxa! Tá difícil!
A Chris! Quem sabe ela esteja disponível! Pensei em voz alta. Tive um namorico com ela no colégio. Depois disso, nos vimos duas ou três vezes. Vou ligar. Quem sabe não sai coelho desse mato!
Quem atendeu foi sua mãe, dona Valquíria. Perguntei da Chris. Tenho uma notícia não muito boa pra te dar. Disse ela. Fiquei preocupado. O que será que aconteceu com ela? A Chris casou. Senti um grande alívio na alma e no coração. A dona Valquíria continuou: Mas não se preocupe. Fique tranquilo! Eu tenho mais uma filha solteira!
Texto extraído do livro Palavrário
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