Duas festas
No último fim de semana, fui a duas festas. No sábado, uma de classe média em um bom apartamento e, no domingo, uma de pobre na periferia. Cheguei à conclusão de que pobre não passa fome, e sim, a classe média.
O apartamento bem decorado estava cheio de gente “teoricamente” bonita, pois isto é uma questão de gosto e olhar. Circulam, conversam, se conhecem, se encontram...
O apartamento bem decorado estava cheio de gente “teoricamente” bonita, pois isto é uma questão de gosto e olhar. Circulam, conversam, se conhecem, se encontram...
Músicas da moda no aparelho de som. Música chata, melhor dizendo! Crianças bem vestidas e mal comportadas, diz-se mal-educadas, correndo de um lado para o outro, gritando, fazendo barulho, bagunça e levando chamadas de seus pais.
Homens na varanda, longe das crianças, bebendo cerveja e fumando, conversando sobre assuntos de homens: carrões e seus motores potentes, futebol, política e, discretamente, mulheres. As mulheres, na sala e na cozinha, rindo bastante, fofocando e, ao mesmo tempo, tentando cuidar das crianças.
Papinhos bobos aqui e ali com este ou aquele conhecido, ou quase desconhecido. Todos ostentando roupas, vantagens e celulares.
A festa estava dentro da normalidade e do esperado, mas faltava algo chamado co-mi-da! Que miséria! Tinha até cerveja sem álcool. Um absurdo! Me irritou ver o povo todo educado degustando baguetes, croquetes de carne, canapés, bolinho de bacalhau... e limpando delicadamente a boca. A festa começou às 8 da noite e, antes das 10, já não tinha mais nada para comer. Sai da festa e fui a uma pizzaria matar minha fome.
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Domingão de sol. No quintal da casa, uma churrasqueira feita com metade de um tambor e, ao seu lado, uma bacia grande cheia de pedaços de carne, linguiça, asinha e coraçãozinho de frango. Na mesa, mais adiante, duas bacionas: uma de vinagrete e outra de maionese. Pratinhos, garfinhos e faquinhas de plástico, guardanapo e, por incrível que possa parecer, palitos de dentes! Por que ninguém nunca se lembra de pôr na mesa algo tão importante? Mentalmente, abençoei quem lembrou.
Na mesa conjunta, um arsenal de garrafas de refrigerantes de vários sabores. Todas de dois litros! Copinhos de plástico para um exército de bebedores. Um pouco distante das mesas, duas bombonas plásticas de 200L, aquelas azuis, cheias de gelo e cerveja.
Gente alegre e barulhenta, rindo, contando piadas, cantando aquelas músicas ridículas vindas de um aparelho de som fuleiro, mas estava divertido! Saí de lá empapuçado de tanto comer e beber.
Pobre não passa fome! Pobre é feliz!
Ago/2018
Texto extraído do livro: Crônicas
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