Dúvida eterna
O Augusto não é um cara curioso. Tem apenas aquela curiosidade natural na ocorrência dos fatos. Também não é de dar conta da vida dos outros e muito menos da de vizinhos.
Todo sábado à tarde, gosta de levar seu cachorro para passear na pracinha próxima de sua casa, onde encontra outros donos de cachorros fazendo o mesmo que ele. O papo com os vizinhos é sempre sobre o tempo, cachorros ou simplesmente um “Boa tarde!”.
Seja na pracinha ou mesmo na rua de sua casa, um vizinho, melhor dizendo, uma pessoa, sempre desperta sua atenção: uma pessoa obesa de quase vinte anos, ou talvez mais. O Augusto não consegue determinar se a “pessoa” é um homem ou uma mulher.
Nos papinhos rápidos e cumprimentos, percebeu que a pessoa tem o rosto ausente de barba. Percebeu, também, que ela, a pessoa, tem seios. Uma característica normal em homens obesos. A pessoa usa um corte de cabelo bem curtinho. Muitas mulheres usam este tipo de corte. Quanto à sua voz, não é grave nem aguda, e o Augusto não cansa de se perguntar: É um homem ou uma mulher?
No último sábado, decidiu tirar de vez a dúvida e abordou a “pessoa” com um papinho bobo sobre cachorros e depois disse a ela:
— Sempre conversamos e até hoje não sei o seu nome!
A pessoa deu um leve sorriso e respondeu:
— Nadir.
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