O tumulto
Trinta e quatro pessoas com ferimentos leves e dezesseis hospitalizadas, sendo duas com traumatismo craniano, cinco com cortes profundos na cabeça e uma com o olho direito furado. Este foi o saldo do tumulto ocorrido durante a festa de casamento do casal Mônica e Roberto no salão de festas da paróquia Santa Rita.
A confusão começou no final da segunda hora da festa. Em poucos minutos, o que parecia ser uma pequena discussão entre dois convidados e o pai da noiva, seu Valdemar, fez do salão de festas uma arena romana, onde cada indivíduo lutava para se defender e sair vivo. Cadeiras e mesas voando. Latas de cerveja e refrigerante cruzam o espaço e atingem cabeças. Socos. Pontapés. Muita correria. Lustres, portas e janelas, tudo destruído. Nem os músicos, que alegravam a festa, escaparam da fúria dos convidados. Foram alvo de objetos voadores e tiveram seus instrumentos destruídos.
Dois carros do resgate e mais algumas ambulâncias chegaram para socorrer os feridos. A maioria recebeu atendimento no próprio local e foi liberada em seguida. Foi um horror! Todo mundo batia em todo mundo! Disse uma senhora aos policiais. Outro convidado em pânico relatou: Parecia um bando de endemoniados! Coisa do Satanás!
— Era pra ser uma noite de alegria e diversão, no entanto, olha o que virou a minha festa de casamento! — disse o noivo, com o terno alugado todo sujo e rasgado, ao atendente do resgate que fazia um curativo em sua testa.
O delegado Jurandir, junto com os policiais, colhe depoimentos dos convidados na tentativa de esclarecer o motivo da confusão. Já sabe que o principal alvo foi o pai da noiva, que foi linchado e está hospitalizado com traumatismo craniano e corre risco de vida. A Mônica, a noiva, também não escapou da fúria dos convidados, teve seu vestido todo rasgado e está com sangramento na cabeça, devido a um puxão de cabelo que recebeu e foi arrastada por alguns metros. Sua mãe teve mais sorte, escapou se escondendo no banheiro.
A tragédia só não foi pior porque o churrasqueiro, quando percebeu o início do tumulto, escondeu os espetos de churrasco e as facas.
Já era tarde, passava das 22 horas, quando o delegado Jurandir concluiu a causa do tumulto: faltou comida.
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