Uma noite fria
No piso gelado da calçada, um homem descansa seu corpo envelhecido sobre uma lâmina de papelão, outra um pouco maior, o cobre. A crueldade do frio não o deixa dormir. O corpo está cansado pelo esforço de andar o dia inteiro à procura de pequenos objetos no lixo, que vendeu e comprou alimento. Também está cansado pelo desgaste físico acelerado pela vida sedentária, a bebida e a desilusão. Lembranças nostálgicas tomam conta de sua mente. Tenta desviar o pensamento para fatos mais recentes, porém, uma força maior que sua vontade traz de volta velhas recordações que imaginava já terem sido apagadas pelo tempo. Lembra-se de quando era um menino cheio de sonhos que iria conquistar o mundo e, presunçoso, de entrar para a história, e ao envelhecer olharia para trás orgulhoso do caminho que trilhou, de suas grandes realizações e de ter deixado sua prosperidade: seu nome marcado na carne de filhos e netos. Sua mente insiste em revisitar mais lembranças, como a Rose, sua paixão de adolesc...