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Mostrando postagens de julho, 2026

O roubo do romantismo

Joãozinho está brincando sozinho no campinho de terra quando chuta a bola com tanta força que ela cai no meio do matagal ao lado. Foi até lá procurá-la. Anda para lá e para cá até que cai em um buraco de uns três ou quatro metros de profundidade, camuflado pela folhagem. Fica atordoado por alguns instantes até recobrar os sentidos. Está todo dolorido e mal consegue mexer a perna esquerda. Ela dói muito. Acha que está quebrada. Com certo esforço, consegue pegar o celular no bolso da bermuda e liga para sua mãe, que imediatamente aciona o Corpo de Bombeiros. Meia hora depois, Joãozinho está são e salvo nos braços de sua mãe.                 Esta história seria muito diferente em outra época do passado.   O início é o mesmo. De dentro do buraco escuro, Joãozinho só consegue ver a entrada lá em cima. Não há como escalar as paredes de terra, aliás, mal consegue se levantar, sua perna está doendo cada...

Ironia

O homem churrasco. Assim, seu Jaime era conhecido pelos amigos, parentes e vizinhos. Era todo final de semana e não perdia uma oportunidade entre segunda e sexta-feira que também justificasse assar umas carninhas. Era tão fissurado por carnes que tentou abrir um açougue, mas não deu certo e continuou sendo engenheiro. Após se divorciar, foi morar sozinho numa casa térrea. No quintal, construiu uma churrasqueira moderna com todos os apetrechos de um bom churrasqueiro, além das coleções de aventais, espetos e facas de que se orgulhava tanto. No sábado passado, após um churrasco com os amigos e regado a muita cerveja, já mamado, seu Jaime deitou-se no sofá fumando. Adormeceu. Ou melhor, capotou. O cigarro desprendeu-se de seus dedos, caindo no tecido do sofá. A brasa penetrou o tecido e foi se espalhando entre a palha de enchimento, queimando-a lentamente sem incendiar. Na segunda-feira, pela manhã, os vizinhos estranharam o carro do seu Jaime ainda na garagem e o cachorro, desesper...