A princesa e o sapo
Glorinha cresceu romântica e sonhadora. Os livros de contos de fadas eram suas melhores companhias. Devorava as histórias e as fantasiava em sua mente. Esperou cada segundo de sua vida pelo grande dia em que encontraria seu sapo, depois beijá-lo amorosamente e vê-lo se transformar num lindo príncipe encantado, casar-se e viver feliz para sempre ao seu lado no mais belo dos castelos.
O grande dia chegou aos dezessete anos. O príncipe não era exatamente um nobre. Era um caminhoneiro.
Casou-se grávida. Aquele castelo de inúmeras dependências e serviçais era, na verdade, dois cômodos construídos às pressas nos fundos do terreno da casa dos sogros.
Alguns anos se passaram. Um, dois, três filhos sem sangue nobre.
Seu lindo corpinho de princesa agora está mais para Madame Min. O príncipe, mais para Frei Tuck. Engordou, cresceu barriga de cerveja e ficou careca.
Passaram-se mais alguns anos. Os três meninos cresceram e não se casaram com princesas.
O príncipe morreu jovem. Não em uma batalha épica, e sim, despencou numa ribanceira com seu caminhão.
Sem espólios, Glorinha virou diarista como uma Cinderela dos tempos modernos.
Mais alguns anos se passaram. As varizes incharam suas pernas e ela passou a fazer salgadinhos por encomenda. Aos domingos, leva artigos de higiene para o filho mais velho na penitenciária.
Seu rostinho, antes delicado, agora começava a ficar parecido com o da Bruxa Malvada.
O tempo passou e... Glorinha morreu.
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