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Mostrando postagens de 2026

Visão e ação

Duas pererecas muito bem posicionadas em um galho de árvore bem próximo da água do rio. Vamos chamá-las de Perereca Um e Perereca Dois. O local é seguro. A Dois é a mais velha, portanto, um pouco maior e mais experiente. A Um, além de jovem, é míope de um olho e astigmática do outro. Uma libélula voa por perto. As duas, imóveis, seguem com os olhos o vai e vem dela. Quando a libélula passa por elas, a Dois... Nhac! E se delicia com o petisco. A Um reclama com a amiga. — De novo! Você não me deixa pegar um inseto! A Dois não disse nada e fez cara de quem diz: O que posso fazer? Sou mais esperta! No dia seguinte, a Um chega ao galho usando óculos. A Dois olhou preocupada para a colega como quem pensa: Hum! Acho que tenho que ficar mais esperta. A Um, com um leve sorriso estampado na cara, olha de lado para a colega e pensa: Agora vai ser competição! Não demorou muito e uma libélula sobrevoa o local. Um e Dois estão atentas e imóveis. A Um se ajeitou no galho devagarinho, apoiou bem as ...

Ômega

No alfabeto grego, ômega é a última letra das vinte e quatro existentes. É representada por um símbolo que lembra uma ferradura. Será que dá sorte também? Ferradura dá! Não sei qual o uso dessa letra, mas sei que todo mundo conhece o tal de ômega 3. Agora, duvido que toda essa gente saiba pra que servem aquelas bolinhas de softgel.   O Dr. Silvano me orientou a consumir ômega 3. D isse ele ser ótimo na minha idade (avançada). Perguntei a ele: O que é ômega 3? Sua resposta foi : É um ácido graxo. Pensei comigo : Que legal! E fiz outra pergunta : O que é um ácido graxo? Ele fez aquela cara de quem não estava a fim de responder, mas foi educado. Ele é importante para a produção de energia, o transporte de gorduras do fígado para os tecidos do corpo, o crescimento normal das células, hidratação da pele, ajuda a combater os radicais livres e, com isso, a reduzir o envelhecimento, etc. Gostei desta última função! Mesmo constrangido, arrisquei mais uma perguntinha: O que é esse tal...

A vizinha e o herói

A dona Janete era uma mulher bem alegrinha e mãe do Fernandinho e da Soninha. Duas coisas eu não gostava nela: a mania de ficar me dando broncas e o seu sorriso. Eu dizia para minha mãe que a dona Janete tinha um sorriso arreganhado, e ela me corrigia: Arreganhado não, forçado! Mas a dona Janete tinha outras duas coisas que eu adorava: uma geladeira e uma TV! Geladeira era um item caro para os pobres como meus pais, e a TV um luxo mais caro ainda. O seu Cláudio, marido da dona Janete, tinha um bom emprego e podia dar à sua família o que o meu pai ainda não podia dar a dele. Todo domingo de manhã, após voltar da igreja, eu, meus irmãos e mais algumas crianças da rua invadíamos a sala de estar da casa da dona Janete para assistir a um seriado de bang-bang na TV em preto e branco. Incrivelmente, ficávamos em silêncio, olhos e ouvidos atentos às cenas e diálogos do nosso herói enfrentando homens malvados e cruéis. Nossa atenção só era quebrada quando a dona Janete vinha nos servir limonad...

O tumulto

Trinta e quatro pessoas com ferimentos leves e dezesseis hospitalizadas, sendo duas com traumatismo craniano, cinco com cortes profundos na cabeça e uma com o olho direito furado. Este foi o saldo do tumulto ocorrido durante a festa de casamento do casal Mônica e Roberto no salão de festas da paróquia Santa Rita. A confusão começou no final da segunda hora da festa. Em poucos minutos, o que parecia ser uma pequena discussão entre dois convidados e o pai da noiva, seu Valdemar, fez do salão de festas uma arena romana, onde cada indivíduo lutava para se defender e sair vivo. Cadeiras e mesas voando. Latas de cerveja e refrigerante cruzam o espaço e atingem cabeças. Socos. Pontapés. Muita correria. Lustres, portas e janelas, tudo destruído. Nem os músicos, que alegravam a festa, escaparam da fúria dos convidados. Foram alvo de objetos voadores e tiveram seus instrumentos destruídos. Dois carros do resgate e mais algumas ambulâncias chegaram para socorrer os feridos. A maioria recebeu aten...

Uma noite fria

No piso gelado da calçada, um homem descansa seu corpo envelhecido sobre uma lâmina de papelão, outra um pouco maior, o cobre. A crueldade do frio não o deixa dormir. O corpo está cansado pelo esforço de andar o dia inteiro à procura de pequenos objetos no lixo, que vendeu e comprou alimento. Também está cansado pelo desgaste físico acelerado pela vida sedentária, a bebida e a desilusão. Lembranças nostálgicas tomam conta de sua mente. Tenta desviar o pensamento para fatos mais recentes, porém, uma força maior que sua vontade traz de volta velhas recordações que imaginava já terem sido apagadas pelo tempo. Lembra-se de quando era um menino cheio de sonhos que iria conquistar o mundo e, presunçoso, de entrar para a história, e ao envelhecer olharia para trás orgulhoso do caminho que trilhou, de suas grandes realizações e de ter deixado sua prosperidade: seu nome marcado na carne de filhos e netos. Sua mente insiste em revisitar mais lembranças, como a Rose, sua paixão de adolesc...

A princesa e o sapo

Glorinha cresceu romântica e sonhadora. Os livros de contos de fadas eram suas melhores companhias. Devorava as histórias e as fantasiava em sua mente. Esperou cada segundo de sua vida pelo grande dia em que encontraria seu sapo, depois beijá-lo amorosamente e vê-lo se transformar num lindo príncipe encantado, casar-se e viver feliz para sempre ao seu lado no mais belo dos castelos. O grande dia chegou aos dezessete anos. O príncipe não era exatamente um nobre. Era um caminhoneiro. Casou-se grávida. Aquele castelo de inúmeras dependências e serviçais era, na verdade, dois cômodos construídos às pressas nos fundos do terreno da casa dos sogros. Alguns anos se passaram. Um, dois, três filhos sem sangue nobre. Seu lindo corpinho de princesa agora está mais para Madame Min. O príncipe, mais para Frei Tuck. Engordou, cresceu barriga de cerveja e ficou careca. Passaram-se mais alguns anos. Os três meninos cresceram e não se casaram com princesas. O príncipe morreu jovem. Não em u...

Rico por um dia

O Ricardo é um cara simples e de origem humilde, e com muito sacrifício tenta concluir a faculdade. Conseguiu seu primeiro emprego: um estágio na área de marketing em uma agência de propaganda bem longe de sua casa. A agência promoverá o lançamento de uma coleção de joias de uma grande grife a ser realizado no salão de eventos de um hotel cinco estrelas. O Ricardo está muito animado, pois, além de acompanhar seu chefe, o Paulo, pela primeira vez na vida, irá a um local tão chique.   O hotel é um desbunde. Chique é pouco para defini-lo. No salão, gente bonita e elegante circulando e conversando educadamente. O Ricardo está vislumbrado. — Paulo, quanta mulher bonita! E essa mesa de queijos é maior que a lojinha de frios lá do bairro! A de vinho se parece com uma adega! E a de pães e patês, deixa a padoca lá da vila no chinelo! — Pega leve e com educação, Ricardo. Não me faça passar vergonha! — alertou o chefe. O Ricardo está impressionado com tanta comida boa, mas não tira...

Fora de lugar

O futebol é maravilhoso! Os dribles. Os lances. As cabeçadas. O gol. Como é bonito driblar um, dois, três jogadores e marcar um belo gol que leva a torcida ao delírio! Que belo espetáculo! Como eu invejava meus amigos bons de bola. Eu, além de ter medo da bola, sempre tropeçava nela, levando a galera a cair na risada. Eu não gostava de futebol. Sabia apreciar e valorizar, mas era muito perna de pau. O que eu gostava mesmo era de música. Adorava ouvir rock e colecionava discos de vinil, os tais bolachões, alguns com capas magníficas. Os meninos se dividiam em três grupos: os que gostavam de futebol, os que gostavam de skate e os que não gostavam de nada disso e de quase nada também, como eu. Todo adolescente sonha em brilhar, ser notado, ser popular. É natural da idade. Eu, o garoto magrelinho e tímido, entrei numa de sair da invisibilidade e impressionar, principalmente, as meninas, que só tinham olhos para os bons em futebol e skate . E eu estava fora dos dois grupos. Meu amigo Mau...

Neve

Em nosso querido planetinha azul, acontecem inúmeros fenômenos naturais que intrigaram muitos pensadores no passado, mas nossa boa ciência já tratou de explicar todos, portanto, não há mais mistérios. Um desses fenômenos é a evaporação da água. Um mundão de partículas de água flutuando no ar, levadas daqui para lá, e de lá para cá, pela ação do vento. Elas são muito sociais, gostam de andar juntas e formam nuvens branquinhas, cinzas e pretas. Essa última é a perigosa, sempre aparece acompanhada de trovões, relâmpagos, raios e muita chuva. Isso, aqui nos trópicos, lá em cima do hemisfério norte e aqui embaixo do hemisfério sul, esse vapor de água encontra um frio de lascar taquara e se cristaliza formando a tal de neve, caindo em forma de chuva. Nas fotos, parece muito bonito o cenário todo branquinho, como se a paz reinasse por todos os cantos e os turistas estivessem felizes. Um amigo meu que é russo me disse que neve só é boa para estes turistas felizes. Segundo palavras dele: Viver ...

Do pó à lama

— Mãe, água é a melhor coisa do mundo! Severino nasceu no início de uma seca que castigou a região por quase sete anos. Pouco tempo após sair da primeira infância, viu pela primeira vez a tão falada água cair do céu. Ajoelhou-se no chão úmido com seus pais e irmãos, agradecendo a Deus pela dádiva. Logo depois, saiu correndo com os braços abertos como se quisesse abraçar todos aqueles pingos de água. A água encharcou o chão, brotando verde aqui e ali, e seu pai plantou as sementes do alimento dos próximos meses. Toda a alegria do pequeno Severino durou pouco. A seca voltou e se estendeu por mais alguns anos e ele viu novamente o solo esturricar e a criação morrer de sede. Invejava aqueles que moravam no sul, onde a água é abundante. Fechava os olhos e dava asas à imaginação quando ouvia o cancioneiro cantar “O sertão vai virar mar”*. Também invejou Noé quando conheceu a história do dilúvio. — Mãe, água é o símbolo da vida! Cresceu vendo sua mãe e suas duas irmãs caminharem, ...

Papel de pão

É comum as aptidões surgirem na infância. Meu amigo Fernandinho, com oito anos, já era um baterista. O Renatinho, da mesma idade, tocava saxofone. A Fátima bordava quase tão bem quanto sua mãe. O Norinho roubava coisas. O Valter sacaneava todo mundo, e eu gostava de desenhar. Todos os dias de manhã, meu pai comprava um filão de pão que vinha enrolado numa folha de papel celofane, que chamávamos de papel de pão. Ele guardava todos, pois sabia que eu gostava de usá-los para desenhar. Eram ótimos para isso. Eu também gostava de desenhar no asfalto com cacos de argila colorida. A rua ficava toda enfeitada. Vinham os carros ou a chuva e apagavam meus desenhos, mas eu não me incomodava e desenhava tudo de novo. Cresci e estudei desenho. Adorava desenhar. Passava horas na escrivaninha de meu quarto treinando e enchendo o cestinho de lixo com papéis embolados. Um dia, meu pai entrou no meu quarto e ficou me observando desenhar. O seu Antônio era um homem muito simples que sempre teve uma vida ...

Não se engane

Muito churrasco. Muita bebida. Música caipira rolando solta e muita diversão. Assim são os churrascos que acontecem sempre no último sábado de cada mês na fazenda Florença. Dia de reunir toda a italianada: família e amigos. Colocar as fofocas em dia, azaração e muita comilança. A cem metros da casa grande, há um lago. Bem próximo dele, construíram um tablado coberto, com sofás e bancos dispostos ao redor, uma pequena cozinha e, logicamente, a churrasqueira. Um pouco mais adiante fica o disputado banheiro.   Certa vez, a jovem e bela Giovana, após se encharcar de refrigerantes (a moça não bebia álcool), foi ao banheiro esvaziar a bexiga. Segundos depois, a atenção de todos foi atraída por gritos histéricos vindos do tal recinto. O que será que tá acontecendo? Queriam saber todos que correram até a porta do banheiro que, repentinamente, se abriu e viram a mocinha sair correndo feito barata tonta, gritando como uma louca e com as calças arriadas, expondo suas partes íntimas. Neste in...

O telhado da casa da dona Dita

Dona Dita ficou conhecida na cidade de Charmosinha por ter o estabelecimento comercial mais popular da região, que ficou destelhado depois da última tempestade. Foi um aguaceiro como nunca se viu, molhou tudo e todos. Nos fundos do estabelecimento, dona Dita construiu uma pequena casa onde mora com seu único filho, Betinho, de trinta e dois anos. Ele não é muito chegado ao trabalho, mas consegue de alguma forma administrar o estabelecimento da mãe, que se limita a atender os clientes, já que foi ela quem o montou com muito sacrifício e suor no auge dos seus vinte e poucos anos. Os negócios despencaram depois que acabou a construção da usina hidrelétrica, há quatro anos. Época de faturamento gordo, casa cheia, clientela assídua disposta a gastar e se divertir. Sem dinheiro para cobrir a reforma do estabelecimento, foi procurar o prefeito da cidade, seu Belô, o único que poderia bancar um novo telhado e a compra de novos móveis. — Dona Dita, essa quantia é absurda! A prefeitura não pode ...

O ontem e o hoje

O calor é intenso. Do chão sobe um mormaço que embaça a paisagem. Uma caminhada de poucos metros ao ar livre cansa muito e nos faz sentir com o dobro do peso, além do ar seco difícil de respirar. O céu está limpo e sem nuvens como sempre, para dizer a verdade, raras vezes o vi de outra forma, no máximo alguns fiapos de algodão que passeiam timidamente no meio do azul anil como prenúncio do que demorará muito a acontecer: chover. Apesar do calor, é bom viver nesta cidade. Boas moradias e infraestrutura que atende às nossas necessidades básicas. Uma cidade tão normal como qualquer outra. Da janela, posso ver ao longe o horizonte retilíneo dividindo a paisagem com o amarelo do sol e o azul do mar. Se misturarmos as duas cores, teremos uma que não se vê mais: o verde. Sobre o mar, a grande plataforma de captação de água e, no continente, a usina de produção de água potável com seus enormes reservatórios. À minha esquerda, a zona de plantio de alimentos em estufas imensas que garantem o s...

Válvula

Este artefato industrial é de grande importância e utilidade. Serve para reter líquidos e gases, ou seja, só deixa sair ou entrar quando se faz necessário. Você não percebe, mas as válvulas estão presentes no nosso dia a dia. No seu banheiro, ela está na descarga do vaso sanitário, para você mandar embora aquele horror que deixou lá, e naquela torneira para abrir o chuveiro. Para você que mora em apartamento, além dos exemplos citados, na garagem você pode vê-las naquele monte de tubulações no teto. Outro tipo de válvula que, por vezes, você faz uso é a de escape, aquela para mandar embora o estresse, como, por exemplo, comer feito um esfomeado que acha que o mundo vai acabar amanhã, ou quando você pega alguém para Cristo. Em nós, pessoas, também existem válvulas! No coração, tem uma importante: a cardíaca. Quando ela pifa… É tchau, querido! Nosso sistema digestivo produz e acumula resíduos, inclusive gases, e quando chega a um nível muito alto, a válvula de esgoto, o fiofó, é acionad...

Nossos salvadores

O planeta Marte não é mais o mesmo. A paisagem avermelhada agora tem outras cores em seu cenário. Sabe-se que lá não mora nenhum marciano verdinho, por enquanto, mas em breve receberá habitantes da cor creme e a melanina desse novo povo poderá sofrer alterações devido aos gases da atmosfera e ao calor sufocante da superfície, e quem sabe daqui a algumas gerações eles se tornem verdinhos. Muitos anos se passaram e um montão de foguetes despejou caixas e mais caixas na superfície avermelhada do planeta. Em seguida, um grupo de quatro astronautas-operários abriu as caixas e começou a construção de uma base. Foi um trabalhão, mesmo com a ajuda de robôs. As dificuldades encontradas passaram tão, tão, tão distantes do projeto imaginado pelos idealizadores, que houve um momento em que os operários passaram a acreditar que a melhor forma de resolvê-los seria abandonar tudo, mas lá na Terra, os homens do dindim bateram o pé e disseram : Vocês vão conseguir! Além dos alojamentos, montaram a ...

O véio Tuca

O corvo Carvão está muito eufórico com a organização de mais um evento na mata. Desta vez é para a comemoração do aniversário de 23 anos do véio Tuca, o tucano mais velho da área, que, dizem as más línguas, está fazendo hora extra na mata, pois já passou da hora de sair desta pra melhor. Seu grande bico não tem mais cor, além de faltar a ponta do lado de cima, enxerga muito mal, seu corpo está magro e faltam penas por todo ele, parece até um frango meio depenado, mas ainda vivo. O Carvão quer fazer deste evento um marco em suas realizações, muito maior do que foi o aniversário da dona Onça, onde reuniu, no mesmo local, todos os bichos que a pintada gosta no prato e não se serviu de nenhum. Outro evento que saiu tudo bem foi o casamento da chimpanzé Chita com o Chito, que conseguiu convencê-los a não fazer nenhuma macaquice durante a cerimônia, só depois. No aniversário do véio Tuca, quer agradar a todos e não quer ouvir nenhuma reclamação desta vez, o que é impossível. Para agradar à...

O chocolate, a geleia e o grão de milho

Chocolate Em Pó tinha um sonho: ser transformado em um Chocolate Em Barra. Estava cansado de se espalhar e depois ter que se juntar. Entrava em pânico só de pensar em vento ou mesmo um espirro. Um dia, saiu caminhando sem rumo, mas com a esperança de ver seu sonho realizado. Depois de muito tempo, uma doceira o transformou em um Chocolate Em Barra de oito gomos, como ele tanto quis. Após isso, focou seu objetivo em realizar seu maior desejo: o de ser degustado por uma boca chocólatra, afinal, essa é a função de um alimento, ser consumido. Queria que todos vissem sua felicidade e saiu por este mundão afora. Num belo dia de verão, o sol estava muito quente. Chocolate Em Barra sentiu que estava derretendo e procurou refúgio na sombra refrescante de uma grande árvore e parou de derreter. Percebeu que algo caiu no chão. Era uma ameixa, grande, amarela, suculenta e de pele macia. Conversaram bastante e ficaram amigos. Confiante na Ameixa Amarela, Chocolate Em Barra contou a ela a realização ...

O almoço de domingo

Tem pessoas que nascem com o dom de ser palhaço. Não aquele de circo, mas aquele que faz todo mundo rir com seu jeito de ser, além de, na maioria das vezes, ser uma pessoa muito legal. Lógico que existe aquele que se acha palhaço e torna-se um chato de galocha. O Mustafá não era exatamente um palhaço. Era engraçado, espirituoso e muito zoeiro. Zoava até com as professoras. Filho de libaneses, o mais alto da turma e o único que tinha barba. Uma barba tão cerrada que se parecia com pelúcia de ursinho. Era o terceiro ano do colégio e, antes de completarmos um mês de aula, ele percebeu que a turma do fundão era bem mais divertida e alegre que os aplicadinhos lá da frente. Se juntou a nós e em pouco tempo nos tornamos bons amigos. Ele gostava muito de mim. Um dia, me falou que me levaria para almoçar com sua família num domingo a ser marcado. Repetiu essa intenção várias vezes durante o primeiro semestre. Logo após as férias do meio do ano, ele me procurou e disse: Domingo que vem! Você va...

Nelsinho

Quando o homem pisou na Lua, despertou numa infinidade de crianças o sonho de ser um astronauta e comigo e meus amigos não foi diferente. Nossa imaginação era alimentada com os gibis do Flash Gordon e o grande passo que Neil Armstrong deu abriu a possibilidade, em nossas mentes, de subir num foguete e pegar o caminho das estrelas, conhecendo marcianos, dando voltas nos anéis de Saturno, atravessando planetas gasosos, lutando contra vilões tiranos querendo colonizar nosso planeta. Nossa! Quantas aventuras essa conquista promete lá no futuro! Para ser um astronauta, primeiro é preciso crescer e, principalmente, estudar muito. Isso desagradou boa parte dos meninos, depois correr atrás do sonho. O vizinho, seu Alberto, nos disse que um astronauta tem que gostar e saber muito de matemática. Pronto! Com este comentário, o homem destruiu o sonho da maioria dos meninos. Ainda somos crianças e muito longe de nos tornarmos adultos, portanto, vamos nos dedicar ao que gostamos de fazer: o Valter d...