Dois mais dois
Lá no passado, há muito tempo, bem
antes de o Cristo nascer, um grego chamado Pitágoras, que, a meu ver, era o
tipo que não tinha o que fazer na vida, resolveu criar a tal de matemática,
infernizando a vida de todas as gerações após a sua e até as do final dos
tempos.
Seus admiradores e seguidores deram continuidade à sua criação, deixando tudo mais complicado do que já era.
Tudo seria mais simples só com a soma e a subtração. Você vai ao mercado e compra um produto de 3 reais e outro de 4. Mentalmente, soma os dois e dá 7. Entrega ao caixa uma nota de 10 e, mentalmente, subtrai o valor dos dois: dá 3 de troco. Simples assim! É a matemática básica do dia a dia! E é dessa que eu preciso!
Aula de álgebra. Números e mais números. Letras A, B, X, Y. Parênteses. Colchetes. Chaves... Muitos números e símbolos pro meu cérebro processar! Maldito Pitágoras! Não sei para onde você foi após morrer, mas espero que esteja queimando no inferno!
O professor Moacir passa por minha carteira e vê que não fiz o exercício proposto e me pergunta:
— Qual é a dúvida?
— Todas! — Respondi a ele e completei: — Eu não consigo entender nada! Pra que eu tenho que aprender isso?
Ele puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado. Me encarou e disse:
— Você é um garoto inteligente e vai entender o que vou dizer. — E, com o dedo indicador, começou a cutucar levemente minha cabeça. — Aqui dentro tem um cérebro capaz de aprender de tudo. Este cérebro é capaz de armazenar um universo de informações e ainda sobra muito espaço. Aprenda tudo que você tiver a chance de aprender. Antes de gostar de matemática, procure entender sua lógica. Aí, sim, você vai gostar dela.
Fez uma pequena pausa e parou de cutucar minha cabeça e continuou:
— Durante toda sua vida, a matemática estará presente em seu dia a dia: na escola, no trabalho e na vida pessoal. Portanto, aprenda matemática! A semana que vem terá prova e se você a deixar em branco, vai levar um zero desse tamanho!
Nov/2019
Texto extraído do livro: O menino que cresceu
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