Papel de pão
É comum as aptidões surgirem na infância. Meu amigo Fernandinho,
com oito anos, já era um baterista. O Renatinho, da mesma idade,
tocava saxofone. A Fátima bordava quase tão bem quanto sua
mãe. O Norinho roubava coisas. O Valter sacaneava todo mundo, e eu
gostava de desenhar.
Cresci e estudei desenho. Adorava desenhar. Passava horas na escrivaninha de meu quarto treinando e enchendo o cestinho de lixo com papéis embolados.
Um dia, meu pai entrou no meu quarto e ficou me observando desenhar. O seu Antônio era um homem muito simples que sempre teve uma vida dura e acostumado ao trabalho braçal. Em sua ignorância e ingenuidade, me perguntou: Filho, como um homem poderá manter uma família, construir uma casa, fazendo isso? Desenhando.
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