Visão e ação
Duas pererecas muito bem posicionadas em um galho de árvore bem
próximo da água do rio. Vamos chamá-las de Perereca Um
e Perereca Dois.
O local é seguro. A Dois é a mais velha, portanto, um pouco maior e mais experiente. A Um, além de jovem, é míope de um olho e astigmática do outro.
Uma libélula voa por perto. As duas, imóveis, seguem com os olhos o vai e vem dela. Quando a libélula passa por elas, a Dois... Nhac! E se delicia com o petisco.
A Um reclama com a amiga.
— De novo! Você não me deixa pegar um inseto!
A Dois não disse nada e fez cara de quem diz: O que posso fazer? Sou mais esperta!
O bicho voador se aproximou. A Dois, atenta. A Um, esperando o momento certo de lançar a língua.
Quando a libélula passa por elas a Dois... Nhac! Devorou o alimento. A Um ficou inconformada.
— Ah! Assim não vale!
A Dois, após engolir o petisco, lambe os beiços e olha para a amiga.
— Não basta ter visão. Tem que ter ação!
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