Fora de lugar
O futebol é maravilhoso! Os dribles. Os lances. As cabeçadas. O
gol. Como é bonito driblar um, dois, três jogadores e marcar um belo gol que
leva a torcida ao delírio! Que belo espetáculo!
Como eu invejava meus amigos bons de bola. Eu, além de ter medo da bola, sempre tropeçava nela, levando a galera a cair na risada.
O que eu gostava mesmo era de música. Adorava ouvir rock e colecionava discos de vinil, os tais bolachões, alguns com capas magníficas.
Os meninos se dividiam em três grupos: os que gostavam de futebol, os que gostavam de skate e os que não gostavam de nada disso e de quase nada também, como eu.
Todo adolescente sonha em brilhar, ser notado, ser popular. É natural da idade. Eu, o garoto magrelinho e tímido, entrei numa de sair da invisibilidade e impressionar, principalmente, as meninas, que só tinham olhos para os bons em futebol e skate. E eu estava fora dos dois grupos.
Eu não tinha dinheiro para comprar um skate e precisava treinar, portanto, dependia da deixa de alguns meninos para brincar um pouco, o que era raro acontecer. Eu precisava muito treinar, então pedi ao Mauro seu skate emprestado. Ele parafraseou: Skate não se empresta a ninguém.
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