Neve
Em nosso querido planetinha azul, acontecem inúmeros fenômenos naturais que intrigaram muitos pensadores no passado, mas nossa boa ciência já tratou de explicar todos, portanto, não há mais mistérios.
Um desses fenômenos é a evaporação da água. Um mundão de partículas de água flutuando no ar, levadas daqui para lá, e de lá para cá, pela ação do vento. Elas são muito sociais, gostam de andar juntas e formam nuvens branquinhas, cinzas e pretas. Essa última é a perigosa, sempre aparece acompanhada de trovões, relâmpagos, raios e muita chuva. Isso, aqui nos trópicos, lá em cima do hemisfério norte e aqui embaixo do hemisfério sul, esse vapor de água encontra um frio de lascar taquara e se cristaliza formando a tal de neve, caindo em forma de chuva. Nas fotos, parece muito bonito o cenário todo branquinho, como se a paz reinasse por todos os cantos e os turistas estivessem felizes.
Um amigo meu que é russo me disse que neve só é boa para estes turistas felizes. Segundo palavras dele: Viver num lugar com neve é uma desgraça! Também palavras dele: É a versão gelada do inferno! Não duvido de uma palavra sequer! Pelo que vejo na TV, ele sabe o que fala.
Imagina você, todos os dias pela manhã, num frio dos diabos, abrir a porta de casa munido de uma pá em mãos para retirar um caminhão de neve. Depois de um tempão de trabalho braçal para abrir caminho até a calçada, mais um tempão para abrir caminho para o carro sair da garagem. Em seguida, a labuta para fazer o carro ligar e, quando consegue sair com ele, encontra o asfalto mais liso que ladrilho ensaboado, e aí bate o carro. Eu iria esbravejar um dicionário de palavrões tão alto, mas tão alto, que o som dele iria viajar pelo espaço sideral até chegar a outro sistema solar, ou até outra galáxia.
Milhares de anos após o acidente com o carro, lá no planeta Xispeteó, os cientistas estão entusiasmados: receberam uma mensagem oriunda de algum planeta distante e exclamaram: Oh! Existe vida inteligente fora daqui! Passaram muito tempo tentando decifrá-la. Quando finalmente conseguem, um olha para o outro sem entender aquela mensagem truncada, sem sentido: Merrrrda! Caraaaalho! Neve filha de uma puuuta!
Voltando ao presente e excluindo os turistas que se divertem passando frio, viver no mundo de neve não é fácil. Não dá para plantar nada e, se não estocar, não tem o que comer. A água congela nos canos e não dá nem para lavar a louça suja. Tem que ter aquecedor na casa inteira. Nem pensar em dormir sem aquecimento, do contrário, uma voz do além vai te dizer: Tchau, tchau, querido! Na rua, sem chance de dar aquela mijadinha em um canto ermo. Diferente dos trópicos, não tem garotas desfilando nas ruas com shortinho meia-bunda, enfim, neve não é nada bom.
Esse tema me fez lembrar daquela famosa história infantil de uma mocinha que era tão branca que a chamavam de Branca de Neve. Aqui nos trópicos, ela teria recebido outros nomes, tais como: Branca Fluorescente, Branca Escritório, Branca Transparente… É! Somos mais criativos! E o nome da história poderia ser: Branca Fluorescente e os Sete Nanicos. Mais uma observação sobre esta história: que papo é esse de uma garota pura e inocente ir morar no meio do mato com um bando de machos? Tenho certeza de que a versão brasileira desta história não seria para criancinhas.
Comentários
Postar um comentário