Rico por um dia
O Ricardo é um cara simples e de origem
humilde, e com muito sacrifício tenta concluir a faculdade. Conseguiu seu
primeiro emprego: um estágio na área de marketing em uma agência de
propaganda bem longe de sua casa.
A
agência promoverá o lançamento de uma coleção de joias de uma grande grife a
ser realizado no salão de eventos de um hotel cinco estrelas. O Ricardo está
muito animado, pois, além de acompanhar seu
chefe, o Paulo, pela primeira vez na vida, irá a um local tão chique.
—
Paulo, quanta mulher bonita! E essa mesa de queijos é maior que a lojinha de
frios lá do bairro! A de vinho se parece com uma adega! E a de pães e patês,
deixa a padoca lá da vila no chinelo!
—
Pega leve e com educação, Ricardo. Não me faça passar vergonha! — alertou o
chefe.
O
Ricardo está impressionado com tanta comida boa, mas não tira os olhos das
moças recepcionistas.
—
Paulo, é cada uma mais linda que a outra!
—
Sim! Mas não são pro seu bico.
—
É. Sendo assim, vou me atentar... no que dá pra comer de graça!
Foi
direto para a mesa de queijos. Não conhecia nenhum. No seu mundo só existe
queijo fresco, muçarela e parmesão ralado para pôr na sopa. Nunca viu tantas
variedades e ficou sem saber qual pegar: Brie, Camembert, Roquefort,
Emmental, Gruyère, etc.
—
Os menores são os mais caros. — informou Paulo.
Na
mesa dos pães, o Ricardo se fartou com a variedade de patês, inclusive o famoso
francês Foie Gras, de fígado de ganso, e quase perdeu a respiração
quando o Paulo lhe ofereceu um potinho.
—
Prove isso. É caviar.
Mais
tarde, provou vinhos seguindo à risca a recomendação do chefe:
—
Por favor, não encha a taça!
A
festa acabou. Eles vão embora. No carro, o Ricardo dá uns tapinhas na barriga.
—
Chefe! Nunca comi tanta comida gostosa em toda a minha
vida! Amanhã vou fazer cocô num tapware e guardar. Cocô como este... nunca mais na vida!
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