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Mostrando postagens de janeiro, 2026

O véio Tuca

O corvo Carvão está muito eufórico com a organização de mais um evento na mata. Desta vez é para a comemoração do aniversário de 23 anos do véio Tuca, o tucano mais velho da área, que, dizem as más línguas, está fazendo hora extra na mata, pois já passou da hora de sair desta pra melhor. Seu grande bico não tem mais cor, além de faltar a ponta do lado de cima, enxerga muito mal, seu corpo está magro e faltam penas por todo ele, parece até um frango meio depenado, mas ainda vivo. O Carvão quer fazer deste evento um marco em suas realizações, muito maior do que foi o aniversário da dona Onça, onde reuniu, no mesmo local, todos os bichos que a pintada gosta no prato e não se serviu de nenhum. Outro evento que saiu tudo bem foi o casamento da chimpanzé Chita com o Chito, que conseguiu convencê-los a não fazer nenhuma macaquice durante a cerimônia, só depois. No aniversário do véio Tuca, quer agradar a todos e não quer ouvir nenhuma reclamação desta vez, o que é impossível. Para agradar às ...

O chocolate, a geleia e o grão de milho

Chocolate Em Pó tinha um sonho: ser transformado em um Chocolate Em Barra. Estava cansado de se espalhar e depois ter que se juntar. Entrava em pânico só de pensar em vento ou mesmo um espirro. Um dia, saiu caminhando sem rumo, mas com a esperança de ver seu sonho realizado. Depois de muito tempo, uma doceira o transformou em um Chocolate Em Barra de oito gomos, como ele tanto quis. Após isso, focou seu objetivo em realizar seu maior desejo: o de ser degustado por uma boca chocólatra, afinal, essa é a função de um alimento, ser consumido. Queria que todos vissem sua felicidade e saiu por este mundão afora.  Num belo dia de verão, o sol estava muito quente. Chocolate Em Barra sentiu que estava derretendo e procurou refúgio na sombra refrescante de uma grande árvore e parou de derreter. Percebeu que algo caiu no chão. Era uma ameixa, grande, amarela, suculenta e de pele macia. Conversaram bastante e ficaram amigos. Confiante na Ameixa Amarela, Chocolate Em Barra contou a ela a realiz...

O almoço de domingo

Tem pessoas que nascem com o dom de ser palhaço. Não aquele de circo, mas aquele que faz todo mundo rir com seu jeito de ser, além de, na maioria das vezes, ser uma pessoa muito legal. Lógico que existe aquele que se acha palhaço e torna-se um chato de galocha. O Mustafá não era exatamente um palhaço. Era engraçado, espirituoso e muito zoeiro. Zoava até com as professoras. Filho de libaneses, o mais alto da turma e o único que tinha barba. Uma barba tão cerrada que se parecia com pelúcia de ursinho. Era o terceiro ano do colégio e antes de completarmos um mês de aula ele percebeu que a turma do fundão era bem mais divertida e alegre que os aplicadinhos lá da frente. Se juntou a nós e em pouco tempo nos tornamos bons amigos. Ele gostava muito de mim. Um dia me disse que me levaria para almoçar com sua família num domingo a ser marcado. Repetiu essa intenção várias vezes durante o primeiro semestre. Logo após as férias do meio do ano ele me procurou e disse: Domingo que vem! Você vai com...

Nelsinho

Quando o homem pisou na Lua, despertou numa infinidade de crianças o sonho de ser um astronauta e comigo e meus amigos não foi diferente. Nossa imaginação era alimentada com os gibis do Flash Gordon e o grande passo que Louis Armstrong deu, abriu a possibilidade, em nossas mentes, de subir num foguete e pegar o caminho das estrelas conhecendo marcianos, dando voltas nos anéis de saturno, atravessando planetas gasosos, lutando contra vilões tiranos querendo colonizar nosso planeta. Nossa! Quantas aventuras essa conquista promete lá no futuro! Para ser um astronauta, primeiro é preciso crescer e, principalmente, estudar muito. Isso desagradou boa parte dos meninos, depois correr atrás do sonho. O vizinho, seu Alberto, nos disse que um astronauta tem que gostar e saber muito de matemática. Pronto! Com este comentário, o homem destruiu o sonho da maioria dos meninos. Ainda somos criança e muito longe de nos tornarmos adultos, portanto, vamos nos dedicar ao que gostamos de fazer: o Valter d...